Sinto este vazio
a voar pelos céus,
por entre as nuvens
Leves, mas impenetráveis
Ouso voar mais alto
Mas não me permito
Sei da escuridão do outro lado, mas
não a vejo
Sou um pássaro
Agrilhoado a mim mesmo
Saudável, mas ferido.
Com penas,
Mas sem pena de mim.
Esta fome de viver,
Faz-me mais esfomeado.
E, assim,
Desmaio, cheio de vida.
É apenas ao mar,
E não ao ar,
Que pertenço.
I feel this void
flying through the skies,
between clouds
light yet impenetrable.
I dare to fly higher,
but I don’t allow myself to do it.
I know the darkness beyond, yet I cannot see it.
I am a bird
chained to myself.
Healthy, yet wounded,
With feathers, but no pity for myself.
This hunger for life
makes me hungrier.
And so,
I faint, full of life.
I belong to the sea,
not the air.